domingo, 8 de outubro de 2006

NA CAIXA DO CORREIO: SABEDORIA

Passei uma tarde inteira a catalogar os livros da biblioteca do nosso Centro. É uma experiência estranha, passar tantas horas as segurar volumes, a ler títulos e subtítulos, a folhear índices e prefácios, a ler notas de contracapa. Tanta sabedoria que está ali concentrada, quieta e calada, longe do mundo. Nós às vezes vamos buscar um dos livros, de que estamos a precisar ara o nosso trabalho, corremos-lhe as páginas com os olhos até encontrarmos a parte de que íamos à procura, estudamos cuidadosamente essa secção, retiramos dela o que precisávamos, e depois devolvêmo-lo à prateleira. É diferente quando encaramos os livros todos de uma vez, mais de um milhar deles, recheados de informações e paisagens e visões de outrém, de histórias longínquas e de contovérsias prementes, num jorro inquieto de estudos e pensamentos que nos dá vontade de mergulhar a fundo e só voltar à superfície muito depois. Fica-se irremediavelmente impressionado quando se mede o esforço de saber e entendimento que tem agitado o mundo desde que os humanos caminham sobre a sua superfície. Dá vontade de parar tudo para ficar ali a saber mais, cada vez mais. Não há nada mais empolgante do que a aventura do conhecimento.

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