sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Redes sociais electrónicas e ensino. II. Mundos virtuais

Uma das mais promissoras entre as ferramentas sociais utilizadas no ensino, consiste na utilização de mundos virtuais. São inúmeras as suas aplicações, desde a possibilidade de leccionar aulas, realizar conferências e reuniões, até à criação de exposições virtuais e mesmo à recriação visual em 3D de edifícios e locais desaparecidos. Alguns destes objectivos podiam, já há algum tempo, ser atingidos por outras vias. A videoconferência, o podcasting e as aplicações gráficas 3D de realidade virtual, não são propriamente novidades. O que é de facto uma novidade é a possibilidade de integrar todos estes recursos através da imersão em grande realismo numa rede de mundos virtuais comunicantes, onde os diferentes intervenientes interagem através do seus avatares. O que era até há pouco, reservado a adolescentes em demanda de fama, glória e aventura em mundos fantásticos (nos jogos MMO, massively multiplayer online), abriu-se agora a todo o tipo de adultos desempenhando papéis muito menos heróicos.
Neste capítulo, o mundo virtual Second Life (SL) tem sido a grande estrela. O seu promotor, uma empresa de San Francisco denominada Linden Lab, teve a preocupação de dar grande destaque ao sistema de ensino, criando condições especiais para que universidades, escolas, bibliotecas, museus, institutos e editores científicos, investissem na presença neste mundo, adquirindo terrenos virtuais (ilhas). A resposta conseguida é impressionante. Cerca de uma centena de universidades já se instalaram no Second Life. Existe mesmo um arquipélago, agrupando várias ilhas de instituições científicas (onde se inclui a NASA e a Second Nature Island da Nature), denominado Sci-Lands. Nem as universidades portuguesas escaparam a esta febre. As Universidades de Aveiro e do Porto já adquiriram as suas ilhas. A de Aveiro foi inaugurada no ano lectivo passado, tendo custado cerca de 3 mil euros. A do Porto terá sido mais barata, custando 750 euros, mais uma mensalidade de cerca de 110 euros (cf. "Universidade de Aveiro inaugura ilha no Second Life" e "Universidade do Porto compra ilha no Second Life" no JPn). O modelo empresarial de Linden Lab baseia-se na venda e aluguer de terrenos virtuais. O acesso dos utilizadores é gratuito, desde que não pretendam ser proprietários de terrenos e edifícios. Neste caso, para além dos próprios custos do imobiliário, é necessário pagar uma mensalidade.
Para uma visão global e exaustiva de todas as presenças de ensino pode-se consultar o site Second Life Education Wiki, o recurso oficial de Linden Lab para os educadores no Second Life. Uma breve introdução também se encontra no artigo "Second Life Science. Take a scientific Field Trip to a digital world" de Sarah Everts. São muitos os projectos educativos a ser desenvolvidos no SL. Veja-se Eduserv in Second Life e o Joanna Scott's blog (da Nature), a título de exemplo.
SL é o mais conhecido, mas não o único mundo virtual operacional. Os seus concorrentes mais directos são Active Worlds e There. O primeiro tem igualmente um programa virado para a educação, The Active Worlds Educational Universe (AWEDU), cuja lista de participantes ultrapassa largamente a centena, com uma distribuição internacional muito variada. Embora as condições de participação (e custos) apresentem algumas diferenças, todos estes serviços são privados, fechados e encontram-se em última instância sob o controlo de uma única empresa. Aqui se encontra uma das grandes contradições dos actuais mundos virtuais. SL é frequentemente apresentado como uma extensão 3D da Internet (veja-se, p.e., o You Tube video: Seriously Engaging : The New Media Consortium in Second Life). Contudo, a Internet é um sistema aberto e baseado em tecnologias e standards abertos e não proprietários. A Internet não é possuída por nenhuma empresa. Na Web, qualquer universidade pode instalar o seu próprio servidor e abri-lo para o mundo, mantendo o controlo total sobre ele desde que cumpra os protocolos de comunicação e as regras de funcionamento da Internet. Na SL não podemos criar uma ilha num servidor próprio e fazer o mesmo que faríamos com a Web.
Vencer estas limitações é o objectivo de vários projectos de desenvolvimento de mundos virtuais em open source, como o Open Source Metaverse Project, o The M.U.P.P.E.T.S. Project, e o Croquet Consortium. Dos três, o último projecto, baseado num consórcio de várias universidades, é o que se encontra em fase mais próxima da produção. O Croquet SDK (Software Developer Kit) versão 1.0 já se encontra disponível. Com base nele perfilam-se vários projectos, como o Arts Metaverse (ver o vídeo Machu Picchu tour), Ancient Spaces (ler artigo na: Educause) e Qwaq (os Qwaq Forums, na imagem à esquerda, são espaços virtuais produzidos por Qwaq, Inc. em cima da plataforma Croquet, próprios para reuniões de empresas).

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Ciclo de Conferências sobre Evolução e Criacionismo Científico


CICLO DE CONFERÊNCIAS NA CULTURGEST
DE SEGUNDA 8 A SEXTA 12 DE OUTUBRO DE 2007
18h30 · Pequeno Auditório · Entrada Gratuita*
http://www.culturgest.pt/actual/criacionismo.html
Evolução e Criacionismo - Uma relação impossível


Desde que Charles Darwin publicou A Origem das Espécies e a Descendência do Homem, evolucionistas e criacionistas já se enfrentaram em muitas batalhas. A mais mediática foi em 1925, o Julgamento de Scopes, onde estava em causa o direito de ensinar a teoria da evolução. Desde então, o Darwinismo foi profunda e detalhadamente explicado, graças ao conhecimento que entretanto se acumulou em Genética de populações, Genética molecular, Ecologia, Filogenia, Paleontologia, Sociobiologia e Etologia. Também o criacionismo se foi modificando, multiplicando-se em diversos movimentos, alguns muito divergentes entre si. O de maior visibilidade e impacto mediático actual é chamado “Criacionismo Científico”. Os movimentos de Criacionismo
Científico tomaram grande fôlego e têm empreendido na última década campanhas políticas nos Estados Unidos no sentido de modificar os programas escolares, ora para suprimir o ensino da evolução ora para incorporar as teorias criacionistas nas aulas de ciências. Este conflito inicialmente vivido nos EUA é agora iminente na Europa. A influência criacionista no ensino e na divulgação da ciência já não é apenas de movimentos de inspiração cristã vindos dos EUA, mas também de inspiração islâmica, ou seja, movimentam-se agora mais dinheiro e pessoas. Bento XVI também tem uma posição mais conservadora do que o seu predecessor João Paulo II relativamente à evolução e ao grau de ingerência que a religião deve ter no domínio do saber académico. Há consequências previsíveis para o futuro da ciência e da humanidade e implicações
sociais e morais para cada um dos cenários que pode resultar da batalha que agora se trava. Esta série de palestras baseia-se no livro com o mesmo título da autoria dos palestrantes e que trata o passado histórico deste conflito e o modo como a história se repete, discute as razões pelas quais a evolução tem sido tão mal-interpretada e tão
combatida por certos sectores da sociedade e explica a evolução de modo resumido e simples, dando exemplos de evolução observada de facto e esclarecendo alguns malentendidos comuns.


Segunda 8
História das relações entre criacionismo e evolucionismo
por Teresa Avelar (Universidade Lusófona)
Terça 9
Muitos criacionismos e a efervescência actual do Criacionismo Científico
por Gonçalo Jesus e Augusta Gaspar (Universidade Lusófona)
Quarta 10
Alguns Erros do Criacionismo Científico Explicados e Corrigidos
por Frederico Almada (Universidade Lusófona) e Octávio Mateus (Museu da Lourinhã)
Quinta 11
O que nos ensinaram duas décadas de evolução experimental em Drosophyla?
por Margarida Matos (Universidade de Lisboa)
Sexta 12
Uma história evolutiva da Ética humana
por Augusta Gaspar (Universidade Lusófona)

A Internet para a História e a Filosofia da Ciência

O serviço Intute produziu recentemente mais um conjunto de manuais introdutórios à utilização da Internet em várias áreas disciplinares e temas, escritos por especialistas dessas mesmas áreas. Estes guias são muito úteis para serem utilizados por professores, alunos e investigadores. Este lote inclui várias artes, a música, a arquitectura, a comunicação, a moda e também a História e a Filosofia da Ciência (HFC).
O manual "Internet for History and Philosophy of Science (HPS)" encontra-se em http://www.vts.intute.ac.uk/he/tutorial/hps/ e foi preparado por David J Mossley e outros docentes e investigadores da Leeds University.
Como acontece com os restantes manuais de Intute, este dá acesso a quatro grandes áreas: "tour" (com o que os autores consideram o melhor da Web para a HFC), "discover" (ensinando como pesquisar melhor na Internet), "judge"(ensinando a avaliar os conteúdos) e "success" (com a descrição de casos de pesquisa com bons resultados).
O manual inclui um muito útil "cesto de hiperligações", que o leitor pode ir enchendo à medida que o vai percorrendo e que no final pode ser enviado para o seu e-mail.
O conjunto de todos os manuais de Intute pode ser consultado em http://www.vts.intute.ac.uk/