ANÚNCIO DE CONFERÊNCIA
John Bickle, University of Cincinnati
Título: “Who Says We Can’t Do a Molecular Biology of Consciousness?”
Data e hora: 29 de Janeiro de 2007, às 17h00
Local: Instituto de Filosofia da Linguagem – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa
Morada: Avenida de Berna, 26-C, Lisboa
Na Sala de Reuniões no 7º piso do edifício principal
RESUMO da conferência:
Virtually every philosopher and cognitive scientist studying consciousness denies that molecular neurobiology will fully explain any of its features. Even physicalists seem to think that we’ll need the more “global” experimental tools and theoretical resources of cognitive and systems-level neuroscience to find the “neural correlates of consciousness.” However, some recent discoveries suggest otherwise. Here I survey in detail experimental results suggesting that agonistic activities at distinct subunits of GABAA receptor proteins are dissociable molecular mechanisms for conscious awareness, arousal state, and anxiety level. These experiments use genetically engineered mice with mutations at single amino acid residues of GABAA receptor subunits, subunit-selective and nonselective anesthetic and anxiolytic drugs, and a variety of behavioral tests commonly used to measure these features of conscious states in rodents. These results fit the “intervene cellularly/molecularly and track behaviorally” account of reduction-in-practice (reviewed briefly here) that I’ve developed in recent publications. The upshot is that “ruthless” psychoneural reductionism’s assault on consciousness has already begun. And a metascientific analysis of these experimental practices and results even calls into question arguments by Levine, Chalmers and other anti-reductionists about consciousness.
Esta conferência insere-se no ciclo «Lógica, Linguagem e Cognição». Mais informações em http://www.ifl.pt
Mais informações sobre John Bickle em http://www.artsci.uc.edu/philosophy/faculty/faculty.htm
e em http://neuroscience.uc.edu/faculty/alpha.cfm
Entrada livre. Todos são bem-vindos.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
domingo, 21 de janeiro de 2007
LER: Erasmo, a Renascença e o Humanismo
Esta biografia de Erasmo de Roterdão, publicada por Ivan Lins em 1997 na Editora Civilização Brasileira, é, no mínimo, surpreendente. Mais do que a simples história do homem que nos deixou O Elogio da Loucura e provavelmente as melhores reflexões sobre a necessidade de reforma da Igreja católica, é a história de toda uma Europa em mudança, toda uma crise de valores que preside ao nascimento de uma nova religião, e de todo o pano de fundo que anima a organização do movimento humanista na Renascença que nos é contada, com grande riqueza de pormenor e um rigor factual infelizmente raro nas obras que se destinam à instrução de públicos mais alargados. Erasmo aparece-nos aqui como a figura pivotal em torno da qual se tece toda a trama complexa da sociedade e da moral do seu tempo, de toda a geografia europeia dos séculos XV e XVI. Erasmo é, sem dúvida, um dos grandes espíritos que a humanidade produziu na sua caminhada, e o que já se escreveu a seu respeito forma em si mesmo uma biblioteca vastíssima. Mas Ivan Lins consegue escrever o ainda não escrito, detendo-se com habilidade e precisão sobre as ideias, os hábitos, os costumes e as dilacerações do período abrangendo, reconstruindo um espírito que chega por vezes a surpreender-nos pela sua riqueza e capacidade de questionamento das certezas herdadas. O livro está acessível em diversos alfarrabistas, e também pode ser encomendado on-line.
OBITUÁRIO: Ray-Gude Mertin
Desde que, no início da semana passada, correu na internet a notícia da morte súbita da Ray-Gude Mertin, os escritores portugueses sentem-se subitamente orfãos. E não são só os portugueses: são todos os autores da diáspora lusófona que perderam sem aviso a sua fada madrinha. Em Outubro, na Feira de Frankfurt, ela estava ainda na maior, cheia de energia e transbordante de projectos. No Natal, trocámos as duas umas mensagens bem divertidas sobre o meu último romance, que ela já tinha em mãos, pronta para o assalto ao mercado. Consta que terá sido o regresso à superfície de um antigo episódio cancerígeno. Mas ninguém sabe ao certo. A Ray-Gude, com o seu cabelo loiro sempre cortado curto e os seus olhos azuis sempre atentos, parecia-nos eterna desde há décadas. Era alemã de origem e residência, mas tinha vivido vários anos no Brasil. Falava, lia e escrevia o português com grande fluência, e amava sinceramente a escrita portuguesa. Com o tempo, foi-se transformando na agente literária de todos nós. Conhecia-nos pelo nome, acompanhava-nos com frequência tanto nos momentos rápidos de triunfo como nas horas amargas das pequenas crises pessoais, lia os nossos livros todos e batalhava por eles no mundo com uma genica desconcertante. Para cada um de nós, convertia-se depressa numa amiga daquelas com quem se pode contar. Descobria-nos as editoras mais adequadas, os tradutores mais indicados, as linhas promocionais mais apropriadas, e ainda tinha tempo para nos dar a mão em alegrias de filhos ou desgostos de divórcios. Corria por nós o planeta inteiro, e para nós estava sempre disponível. Deixou-nos de repente. E todos ficámos sem mapa nem bússola, subitamente sozinhos.
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