O barão Karl Friedrich vom Munchausen, que já mereceu vários livros e dois filmes, viveu entre 1720 e 1797 e distinguiu-se pela sua capacidade fenomenal de contar histórias de guerra e de caça absolutamente fantásticas e imaginativas. Viveu uma vida aventurosa, com duas campanhas militares na Turquia enquanto capitão de cavalaria do exército russo, e, entre as suas medalhas de glória, conta-se até, provavelmente, a de ter sido amante da Imperatriz Catarina. Sabe-se que, enquanto no activo, se diz ter percorrido a Rússia, o Mar Cáspio, as Islândia, a Turquia, o Egipto, Gibraltar, o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. Teria até visitado a Lua, tomando devida nota dos métodos para cozinhar seres humanos aqui utilizados. Depois da reforma, transformou-se num conversador de renome, e deixou-nos uma longa lista de aventuras tão ousadas quanto imaginárias.
Por exemplo, terá usado cerejas como balas durante um cerco...
Terá sido amarrado a uma bala de canhão e assim projectado para além das linhas inimigas...
E, era esta a história a que eu queria chegar, um dia fugia a cavalo de uma hordem de inimigos. Começaram a atravessar um pântano, e, acto contínuo, o cavalo começou a afundar-se. Os inimigos estavam cada vez mais próximos. Para se salvar...
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
NA CAIXA DO CORREIO: DESEMPREGO
Portugal tem 54 mil licenciados desempregados. Os panditas do comentário deixam cair este número como se estisessem a referir uma desgraça específica, que é a de existirem demasiados jovens que preferem a Universidade ao trabalho imediato menos qualificado. E é assim: quem faz esta associação de ideias é parvo. Em primeiro lugar, a única e verdadeira desgraça implícita neste número é a reconfirmação de que Portugal não tem iniciativa empresarial nenhuma, não tem imaginação, não tem criatividade, não investe na qualidade, não sabe crescer: há uma imensa falta de quadros a coexistir com estes potenciais quadros que não encontram emprego. E, em segundo lugar, com toda a franqueza: asdesde quando é que as Universidades são agências de emprego? Parece-me que são antes polos de excelência e santuários de conhecimento, e se em vez de licenciados fossem 54 mil doutorados que estivessem desempregados isso bastaria para este cantinho ser um país melhor, porque os seus cidadãos seriam mais inteligentes, de raciocínio melhor treinado e capacidade superior de associação de conceitos. Até talvez fossem menos coniventes com o esclavagismo economicista que alastra por aí, e talvez até soubessem explicar porquê com clareza e coerência, fornecendo aos outros bases mais sólidas para pensarem na razão de ser deste pantanal. Menos universitários só representam um país mais estúpido. E, por isso, mais manipulável. Será mesmo isso que a gente quer?
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
FERRAMENTAS: Espólio de Egas Moniz disponível na Internet
Os historiadores da ciência e da medicina, em geral, e os estudiosos da vida e da obra do neurologista português António Egas Moniz (1874-1955), em particular, têm razões para, na sua loucura mansa, darem pulos de alegria. É que recentemente foi disponibilizado on-line (http://museuegasmoniz.cm-estarreja.pt) pela Casa Museu Egas Moniz uma boa parte do espólio documental do primeiro e único português a ser galardoado com o Prémio Nobel de Medicina ou Fisiologia. Mais de 50 mil documentos (em grande parte correspondência) foram digitalizados e estão agora à distância de um dedo. Estes documentos são ferramentas fundamentais no entendimento mais profundo e mais lúcido da vida e da obra do neurologista e, neste particular, a correspondência assume especial importância por permitir olhar os bastidores que antecedem a formalidade e que por vezes identifica as pontas que há muito pretendiamos atar. Por outro lado, permite uma melhor compreensão da forma como se processa a comunicação informal entre cientistas e das relações que estabelecem entre si.
Na verdade, este livre acesso surge a partir de um projecto mais vasto, intitulado MEMDigital: Espólio de Egas Moniz à distância de um clique e que resultou na criação de um Centro de Gestão e Pesquisa Documental Egas Moniz, da iniciativa do Município de Estarreja e com a comparticipação financeira do programa Aveiro-Digital, tendo sido inaugurado no passado dia 29 de Novembro, precisamente no aniversário do nascimento de António Egas Moniz (29-11-1874). São mais de 50 mil documentos que aguardam agora o crivo de análise dos historiadores. É caso para dizer: mão à obra.
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