quinta-feira, 6 de julho de 2006

LER: O ideal de Ramón y Cajal

Na Imprensa Médica de 25 de Janeiro de 1940 (Ano VI, n.º 2)
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Karl Popper, um filósofo do século XIX, foi sintético e objectivo no punho. Escreveu o seguinte: «Pessoalmente julgo que existe pelo menos um problema… que interessa a todos os homens que pensam: o problema de compreender o mundo, nós mesmos e o nosso conhecimento enquanto parte do mundo». Na velha demanda da descoberta do mundo, o problema de que nos fala Popper esteve sempre presente. Basta para isso analisar com alguma atenção a estruturação do pensamento ocidental e a forma como essa mesma estruturação se fez de avanços e recuos, de saltos para a frente e para trás e de guerras contra a verdade do outro. O problema de que nos fala Popper será porventura o problema histórico da humanidade que faz a própria humanidade acontecer. A diversidade do mundo não é feita somente de diferentes estruturas anatómicas como resultado de uma acção selectiva por parte do meio ambiente. A diversidade do mundo é feita também de diferentes formas de ver e de pensar o mundo como por exemplo a assimetria cultural existente, embora em grande parte efabulada, entre o ocidente e o oriente. Por conseguinte, conhecer as diferentes formas de ver e de pensar o mundo dos diferentes tempos históricos é conhecer acima de tudo as profundezas e as naturezas dos homens daqueles tempos, as suas ambições e os seus medos, as suas crenças e as suas descrenças. Ficamos pois a saber mais sobre esses homens do que propriamente sobre o mundo que os rodeava. E por isso ficamos a saber mais sobre nós próprios. O senhor que se segue, Newton, escreve na sua Filosofia Experimental algo intimamente ligado a este enviesamento perceptivo: «Não sei o que posso parecer aos olhos do mundo; mas para mim próprio pareço ter sido apenas um rapazinho a brincar à beira do mar, divertindo-me com encontrar de vez em quando um calhau mais liso ou uma concha mais bonita que de ordinário, enquanto o grande oceano da verdade continua por descobrir à minha frente». De facto, o mundo pula e avança de cada vez que a ciência descobre mais um pouquinho deste mundo. Mas mais do que pular e avançar, o mundo vai-se descobrindo a si próprio. Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), um médico histologista espanhol que desenvolveu importantes estudos sobre o sistema nervoso central e, por isso, um cientista na sua forma mais pura, falou-nos do seu ideal (ver imagem em cima), que é, ao fim e ao cabo, o ideal de todos aqueles que percorrem o caminho menos percorrido.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

LER: Opuscula officinara - Volume I e II

Opuscula officinara
Trabalhos de História e Filosofia das Ciências do Instituto Rocha Cabral

A série Opuscula officinara pretende publicar regularmente estudos monográficos, actas de reuniões científicas e opúsculos temáticos produzidos no âmbito da secção de História e Filosofia das Ciências do Instituto Rocha Cabral. A edição é realizada pela Shaker Verlag GmbH para o Instituto Rocha Cabral. A publicação é realizada simultaneamente em papel e em formato electrónico. Exemplares electrónicos ou impressos podem ser adquiridos online em Shaker Verlag, onde também se disponibilizam gratuitamente os respectivos índices de conteúdo.

Volumes já editados


















O primeiro volume da Opuscula officinara foi publicado em Dezembro de 2005. Intitulado Primeiro Encontro de História das Ciências Naturais e da Saúde e coordenado por Clara Pinto Correia, este volume reune algumas das comunicações proferidas no âmbito do Encontro Internacional de História das Ciências que se realizou em Junho de 2004 no magnífico Convento da Arrábida, sob o patrocínio da Fundação Oriente. +info


















O segundo volume da Opuscula officinara foi publicado em Março de 2006 sob o título O Conceito de Energia: passado e sentido. Da autoria de Ricardo Lopes Coelho, este volume reune à volta da energia e da força nomes como Mayer, Joule, Helmholtz, W.Thomson, Rankine, Maxwell, Lodge, Poynting e Ostwald. +info

quinta-feira, 18 de maio de 2006

LER: Farmacopolítica

Postos recentemente em destaque pelo filme "O Fiel Jardineiro", baseado no romance homónimo de John le Carré, os ensaios clínicos levados a cabo pela indústria farmacêutica constituem um tópico central da política de regulação de medicamentos. Esta é o objecto do livro de Arthur A. Daemmrich. Pharmacopolitics: Drug Regulation in the United States and Germany, publicado pela University of North Carolina Press em 2004 e que recebeu em 2006 o Edward Kremers Award, do American Institute for the History of Pharmacy.

Arthur Daemmrich é desde 2005 o director do recém criado Center for Contemporary History and Policy da Chemical Heritage Foundation.

Do livro, é possível ler na Net:

Conteúdo
Introdução

Arthur A. Daemmrich. Pharmacopolitics: Drug Regulation in the United States and Germany. Studies in Social Medicine Series. Chapel Hill and London: University of North Carolina Press, 2004. xi + 203 pp. ISBN 0-8078-2844-0.

Recensões deste livro:

Por Robert P. Stephens, na H-Net.

Por Janice M. Reichert, no New England Journal of Medicine.

Por Carsten Timmermann, no Journal of the History of Medicine and Allied Sciences. 61,1(2006)103-105.

Do mesmo autor, ler na Net:

Arthur Daemmrich, Mary Ellen Bowden. A Rising Drug Industry. Chemical & Engineering News. Special Issue. The Top Pharmaceuticals That Changed The World. Vol. 83, Issue 25 (20/06/2005).