terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

CONTEÚDOS: Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906)

Joaquim dos Santos e Silva
  • Um contributo para a Wikipédia, a enciclopédia livre.

Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906). Fonte: Rev. Quím. Pura Apl. 2(1906)117.
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Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906). Fonte: Rev. Quím. Pura Apl. 2(1906)117.

Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906). Farmacêutico, químico-analista e toxicologista português do Século XIX


Biografia

Farmacêutico pela Universidade de Coimbra. Em 1864, quando ainda era estudante, foi convidado para ajudante dos trabalhos práticos do Laboratório Químico da mesma Universidade. Nos anos lectivos de 1871/72 e 1872/73, foi autorizado a estudar na Alemanha, para se habilitar a dirigir os trabalhos práticos do Laboratório Químico. Estudou primeiro em Göttingen. Depois, terminou os seus estudos trabalhando no laboratório de Kekulé, em Bonn. Aqui obteve o ácido monobromo-canfo-carbónico e os seus sais de bário e prata, sobre os quais publicou uma memória no jornal da Sociedade Química de Berlim. No regresso, em 1873, foi-lhe atribuída a direcção dos trabalhos práticos no laboratório da Universidade de Coimbra. Aí, publicou os Elementos de análise química qualitativa (Coimbra, 1874; reed. 1884) e procedeu a inúmeras análises químicas de águas minerais. Dedicou-se igualmente à química toxicológica, colaborando na realização de análises toxicológicas ou químico-legais ordenadas pelos tribunais da Comarca de Coimbra, entre 1878 e 1899. Em 1892 participou, pelo lado da defesa, na polémica médico-legal do célebre caso de Urbino de Freitas, contra os pareceres do grupo de peritos onde participou António Joaquim Ferreira da Silva. Em 1899 foi nomeado químico analista do Conselho Médico-legal de Coimbra. Em 1902 foi nomeado professor de química legal e sanitária na Escola de Farmácia de Coimbra. Faleceu em 1906.

Bibliografia

  • Anónimo. "Necrologia. Joaquim dos Santos Silva", Jornal da Sociedade Farmacêutica Lusitana. 13,2(1906)58-60;
  • J. Ferreira da Silva. "Joaquim dos Santos e Silva", Revista de Química Pura e Aplicada. 2(1906)117-120.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

LER: Ordens Religiosas em Portugal - Guia Histórico


Acaba de ser publicado pela Livros Horizonte o livro Ordens Religiosas em Portugal: das origens a Trento - Guia Histórico, sob a direcção do Prof. Bernardo Vasconcelos e Sousa e autoria de Isabel Castro Pina, Maria Filomena Andrade e Maria Leonor Ferraz de Oliveira Silva Santos. Esta obra é uma publicação do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa onde decorre um projecto com a mesma designação e que procura conhecer as etapas de implementação e de desenvolvimento das Ordens Religiosas em Portugal desde as origens ao final do século XVI. Este Guia Histórico disponibiliza notícias históricas sobre todas as Ordens Religiosas medievais que actuaram em Portugal no período referido anteriormente e sobre os 450 conventos e mosteiros por elas fundados nos continentes e ilhas; cartografia da localização dos conventos e mosteiros; indicação das fontes documentais já publicadas; localização das fontes manuscritas disponíveis no Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo, nos Arquivos Distritais, na Biblioteca Nacional e em outros arquivos do país, com a indicação sumária da sua dimensão e conteúdo; bibliografia actualizada sobre as Ordens e os conventos e mosteiros referidos, incluindo dissertações académicas mais recentes; e, informação sumária sobre o estado actual dos conventos e mosteiros. Tem o preço de 38 Euros.

Na perspectiva da História das Ciências, a interacção entre a religião e a medicina durante a Antiguidade e a Idade Média permite-nos compreender melhor a razão pela qual a prestação de cuidados médicos constituiram um aspecto central na vida das Ordens Religiosas. Não obstante o facto de os hospitais e do ensino médico se ter processado a partir das estruturas da Igreja, o que demonstra que o pensamento religioso teve um papel estruturante na história das ciências da saúde em Portugal. A título de exemplo, veja-se o trabalho da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus que depois do martírio do Santo que lhe dá o nome, se implementa em Portugal entre 1606 e 1834, altura em que se dá a extinção das Ordens Religiosas. Vocacionada para a prestação de cuidados médicos a doentes mentais e crianças, a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus regressa a Portugal em 1890, cumprindo a sua missão no Hospício de S. Marta em Lisboa e no Asilo de crianças doentes em Aldeia da Ponte. Mais tarde, o Beato Bento Menni funda a Casa de Saúde do Telhal para tratamento somente de homens afectados de doenças mentais, dirigida e servida pelos Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus. E aí a evolução dos cuidados médicos prestados aos doentes tornou-se paradigmática do papel das Ordens Religiosas na história das ciências da saúde em Portugal. Claro está, a título de exemplo.
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«Consciente da importância que as ordens religiosas tiveram nos mais variados aspectos da história medieval de Portugal, não posso deixar de me regozijar pela publicação deste Guia. Estou firmemente convencido que prestará serviços inestimáveis tanto a historiadores como a investigadores interessados na conservação do património e no estudo da história local. Trata-se de um Guia que reúne informações de base com indicações do que o leitor, desejoso de saber mais, precisa de ter em conta para avançar com segurança nas suas pesquisas. Também estou em condições privilegiadas para poder recomendar uma obra cujos méritos sei apreciar com objectividade, porque conheço as numerosas dificuldades que os seus autores tiveram de vencer e posso garantir as suas qualidades de rigor e de crítica, no trabalho que têm vindo a desenvolver.» (José Mattoso)

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

CONTEÚDOS: Academia Médica Portopolitana

Academia Médica Portopolitana

  • Um contributo para a Wikipédia, a enciclopédia livre.

Academia Médica Portopolitana ou Real Academia Médico-Portopolitana. Academia científica fundada em 1749 na cidade do Porto pelo cirurgião Manuel Gomes de Lima (1727-1806). Os primeiros Estatutos foram aprovados pelo irmão do Rei, o Arcebispo D. José de Bragança, protector da Academia. Além de Manuel Gomes de Lima, a Academia contou com a presença de João Mendes Sachetti Barbosa, dirigente do Círculo de Évora, o qual trouxe António Nunes Ribeiro Sanches e Jacob de Castro Sarmento. Em Lisboa, o lugar dirigente foi ocupado pelo médico stahliano José Rodrigues de Abreu.


História

O cirurgião Manuel Gomes de Lima fundou e foi o principal impulsionador, em meados do Século XVIII, de várias academias médico-cirúrgicas na cidade do Porto. Ao todo, num espaço de onze anos, fundou nada menos que quatro academias, mas estas podem ser reduzidas apenas a duas: uma academia cirúrgica e outra médica. A primeira, a Academia Cirúrgica Portuense, funcionou em dois períodos distintos, 1748-1749 e 1759-1764. A segunda, que incluía a Medicina, a Cirurgia e a Farmácia, foi criada em 1749, primeiro com o nome de Academia dos Escondidos e depois com o de Academia Médico-Portopolitana, funcionando até cerca de 1752. A primeira academia fundada no Porto foi a Real Academia Cirúrgico-Proto-Tipo-Lusitânica Portuense, também chamada Academia Cirúrgica Portuense. Os Estatutos foram aprovados a 5 de Setembro de 1748. Gomes de Lima, que já se afastara antes desta data, por incompatibilidade com outros académicos, promoveu de imediato a criação de uma nova academia com médicos, cirurgiões e boticários. Esta iniciou os seus trabalhos em Janeiro de 1749, com a denominação de Academia dos Escondidos da Cidade do Porto ou dos Imitadores da Natureza. Editou o único volume do Zodíaco Lusitano Délfico, correspondente ao mês de Janeiro de 1749, que pretendia ser o primeiro periódico científico em Portugal. Os académicos obtiveram a protecção do irmão do rei e filho natural de D. Pedro II, o Arcebispo e Senhor de Braga. Logo de seguida, a Academia dos Escondidos transformou-se na Academia Médico-Portopolitana. Os primeiros Estatutos foram aprovados em 14 de Abril de 1749. A academia tinha membros distribuídos pelo Porto, Braga, Lisboa, Évora, Brasil e Espanha. Em Janeiro de 1751, os Estatutos ainda foram reformados, mas conflitos internos, a ida de Gomes de Lima para a Universidade de Coimbra, a morte do Arcebispo e de vários membros levaram à sua desagregação. Sendo parte do movimento de renovação intelectual anterior à Reforma Pombalina (1772), a Academia Médico-Portopolitana tomou como bandeira a ciência experimental e as teorias médicas de Hermann Boerhaave contra Aristóteles e Galeno, ainda dominantes no ensino médico. Apesar de todo o seu potencial, os resultados obtidos foram muito reduzidos.


Bibliografia

  • Estatutos da Real Academia Medico-Portopolitana. s.l., 1749.
  • Zodiaco Lusitanico-Delphico. Anatomico, Botanico, Chirurgico, Chymico, Dendrologico, Ictyologico, Lithologico, Medico, Meteorologico, Optico, Ornithologico, Pharmaceutico e Zoologico, Janeiro de 1749. s.l., 1749.
  • Júlio de Lemos. O limianista Doutor Lima Bezerra. Esboço bio-bibliográfico. Coimbra: Tip. Coimbra Editora, 1948.
  • A. Silva Carvalho. O culto de S. Cosme e S. Damião em Portugal e no Brasil. História das sociedades médicas portuguesas. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1928.
  • A. A. Banha de Andrade. "Uma academia luso-espanhola, antes da expulsão dos jesuítas". Brotéria. 40(1945)619-636.
  • J. P. Sousa Dias. “Equívocos sobre Ciência Moderna nas Academias Médico-Cirúrgicas Portuenses”. Medicamento, História e Sociedade. NS1(1992)2-9.