domingo, 25 de fevereiro de 2007

NA CAIXA DO CORREIO: Quarta feira de cinzas

QUARTA FEIRA DE CINZAS
Quarenta dias antes da Páscoa sem contar os domingos ( que não são incluídos na Quaresma), e quarenta e quatro dias antes da Sexta-feira Santa contando os domingos: a quarta-feira de cinzas, que celebramos hoje, é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os católicos recebem neste dia são o símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, e a recordação da passageira, da transitória, da efémera fragilidade da vida humana, sujeita à morte. E é exactamente neste dia que deveríamos, com grande orgulho em sermos portugueses, observar um minuto de silêncio em memória do injustamento esquecido Barjona de Freitas, 1834-1900.
Augusto César Barjona de Freitas, sem dúvida um dos maiores portugueses de sempre, foi um jurista e político ligado à esquerda do Partido Regenerador. Foi deputado, Par do Reino, e ministro. E, graças ao seu trabalho incessante nesse sentido e aos seus dotes oratórios impressionantes, conseguiu elevar-nos à quintessência da civilização corporizada no facto incontornável de Portugal ter sido o primeiro país do Mundo a abolir a pena de morte. Isto sim, é respeitar a passageira, transitória e efémera fragilidade da vida humana. Neste momento sim, fomos o país mais educado e culto do planeta. Às vezes, um de nós torna-nos sublimes. A seguir esquecemo-lo? Somos excepcioais nessa manobra.

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