quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

NA CAIXA DO CORREIO: DESEMPREGO

Portugal tem 54 mil licenciados desempregados. Os panditas do comentário deixam cair este número como se estisessem a referir uma desgraça específica, que é a de existirem demasiados jovens que preferem a Universidade ao trabalho imediato menos qualificado. E é assim: quem faz esta associação de ideias é parvo. Em primeiro lugar, a única e verdadeira desgraça implícita neste número é a reconfirmação de que Portugal não tem iniciativa empresarial nenhuma, não tem imaginação, não tem criatividade, não investe na qualidade, não sabe crescer: há uma imensa falta de quadros a coexistir com estes potenciais quadros que não encontram emprego. E, em segundo lugar, com toda a franqueza: asdesde quando é que as Universidades são agências de emprego? Parece-me que são antes polos de excelência e santuários de conhecimento, e se em vez de licenciados fossem 54 mil doutorados que estivessem desempregados isso bastaria para este cantinho ser um país melhor, porque os seus cidadãos seriam mais inteligentes, de raciocínio melhor treinado e capacidade superior de associação de conceitos. Até talvez fossem menos coniventes com o esclavagismo economicista que alastra por aí, e talvez até soubessem explicar porquê com clareza e coerência, fornecendo aos outros bases mais sólidas para pensarem na razão de ser deste pantanal. Menos universitários só representam um país mais estúpido. E, por isso, mais manipulável. Será mesmo isso que a gente quer?

2 comentários:

Ricardo S. Reis dos Santos disse...

Apenas dois comentários que me parecem interessantes: primeiro, sobre as universidades como agências de emprego, subscrevo o seu excelente texto precisamente intitulado "Universidades e Agências de Emprego" (em http://www.bioinfo.ulusofona.pt); segundo, um estudo levado a cabo pelo Instituto de Ciências Sociais sobre a condição juvenil portuguesa na viragem do milénio diz-nos que «a faixa etária até aos 29 anos possui cada vez mais habilitações escolares mas bate-se crescentemente com o desemprego, que quadruplicou desde o início da década de 90». Quer dizer. Temos gente mais qualificada mas no desemprego (pois, como diz, este país «não tem iniciativa empresarial, não tem imaginação, não tem criatividade, não investe na qualidade, não sabe crescer» e, sobretudo, vai a caminho da pobreza) ou então a fazer coisas completamente diferentes. Por outro lado, convém ressalvar que gente mais qualificada não é sinónimo de gente menos estúpida, precisamente pelas razões que expõe no seu texto "Universidades e Agências de Emprego".

Grsch disse...

Ficar desempregado e mesmo duro ! Indico este site para ajudar a galera que esta desempregada: Empregos, Estágios & Concursos

Abraços.