terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

CONTEÚDOS: O Espectáculo da Natureza

Há dois meses atrás, andava eu muito atarefado à procura de um título para as crónicas que vou começar a escrever numa revista sobre vida animal. Serviu-me de inspiração Abbé Pluche que no século XVII publicou um livro precisamente chamado «Le Spéctacle de la Nature». Eu tinha aprendido no «Assim na Terra como no Céu» que os filósofos naturais, para aperfeiçoarem o seu conhecimento e entendimento de Deus, exploraram o universo e a natureza de uma forma entusiástica, criando leis e teorias. E todos os fenómenos do mundo vivo eram assim digeridos como uma manifestação magnífica da obra perfeita criada por um Deus todo-poderoso. O modelo encaixava-se perfeitamente naquilo que eu queria imprimir nas minhas crónicas. Interessava-me sobretudo a forma como estes filósofos naturais se espantavam com o que viam. Mas também náo consegui ficar indiferente a essa visão do mundo tão conspurcada pelo divino. Achava eu que esses senhores viam Deus em tudo quanto é sítio mas que agora o inquérito científico nos tinha afastado definitivamente desse caminho. Tranquilamente, lá escolhi o título «O Espectáculo da Natureza». Mas não é que, hoje, algures neste mundo alguém disse que o recente Tsunami foi enviado por uma entidade divina como forma de punir o turismo sexual que alimenta alguns dos países afectados! E eu pensei: será mesmo que...!!?

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